Não importa se você quer ir pra bem longe de mim, amor, não importa. Falava ele com um leve sorriso na face. A tua liberdade era parte dos meus planos, mais uma das lições que eu gostaria de te mostrar sobre a vida, ele continuava enquanto a empurrava levemente para frente. Você deve ir para onde o vento te levar, pois fomos feitos para voar, para sermos livres como pássaros. ele continuava a empurrá-la. Ela não dizia mais nada, havia abaixado sua cabeça e deixava ser empurrada porta a fora. Na alma, cortes profundos. Marcas da liberdade que estava prestes a reencontrar. Eu te amo, ele sorria. Por isto quero que você vá, porque te amo. A lua iluminava parte do seu rosto ainda direcionado para o chão. O vento congelava seu sangue e a fazia estremecer. A porta se fechou.
Inevitavelmente ela teve que encarar mais uma vez a dimensão do mundo. Lá estava ela novamente, frente ao tempo, à imensidão, que para o seu conforto teria um fim, um merecido fim. Andou alguns quilômetros em linha reta até ter certeza que estava longe o suficiente dali. Deitou na terra molhada, virou-se de lado e abraçou os joelhos. Os significados iam bicando o seu corpo. Arrancando cada pedaço. As horas de agonia se estenderam até o coma inconsciente. Não eram imagens, nem lembranças, não havia simbologia. Eram gritos, apenas gritos. O reconhecimento de seu destino. A solidão e o frio na pele que aos poucos congelava seu coração seriam eternos enquanto durasse a vida.
A porta se abria. Ali, deitada, ela o via voar para longe. Quanto mais se distanciava, maior era o sorriso. O sol já nascia entre as montanhas. Vagarosamente, com a esperança de que assim o tempo seja encurtado, ela levanta. Fecha os olhos. Em seu ouvido, o vento sussurra mais uma vez. Então ela segue. Em direção ao nada, ou para onde o vento a levar.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Bifurcação
A vida continua,
cada qual em seu curso.
Uns pro norte, outros pro sul.
Como era de se esperar.
Como irá sempre acontecer.
cada qual em seu curso.
Uns pro norte, outros pro sul.
Como era de se esperar.
Como irá sempre acontecer.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Barquinho
Ainda sinto o balançar dos teus braços.
Ainda escuto o entoar da tua voz.
E as canções que sempre diziam
Adeus.
Ainda enxugo as lágrimas do rosto.
Ainda me aqueço no teu abraço.
E rezo as orações que te faziam
acalmar.
Ainda te vejo partir naquele barco.
Ainda desmorono ao entardecer
E por mais que aparente não ser
Ainda espero você voltar.
Ainda escuto o entoar da tua voz.
E as canções que sempre diziam
Adeus.
Ainda enxugo as lágrimas do rosto.
Ainda me aqueço no teu abraço.
E rezo as orações que te faziam
acalmar.
Ainda te vejo partir naquele barco.
Ainda desmorono ao entardecer
E por mais que aparente não ser
Ainda espero você voltar.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Pára o mundo
Aniquila a verocidade avançada a esmo
recua da perversidade e descompaixão
cospe o desespero e grita aos céus
Há alguém do outro lado?
silêncio
fecha os olhos da alma
É a única saída neste poço sem fundo.
Eu te via chorar e não entendia
Agora chegou a minha vez
E assim será até a aguardada inexistência.
recua da perversidade e descompaixão
cospe o desespero e grita aos céus
Há alguém do outro lado?
silêncio
fecha os olhos da alma
É a única saída neste poço sem fundo.
Eu te via chorar e não entendia
Agora chegou a minha vez
E assim será até a aguardada inexistência.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Bad Feelings
Enquanto rastreio o teu passado, penso no quanto não sou nada do que você queria. Olho para mim e vejo tudo o que não sou e no que gostaria de ser só pra te completar perfeitamente, só pra fazer você me querer por completo.
domingo, 31 de janeiro de 2010
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Círculos
Os círculos daquela noite,
em mil cores me fizeram.
Parariam ao te ver voltar-se para ela.
Os círculos daquela noite me cortaram,
em mil pedaços me fizeram,
sussurraram teu nome,
transpassaram minha garganta, e mais.
Não eram como nave espacial,
mas me levaram pra bem longe.
De você.
em mil cores me fizeram.
Parariam ao te ver voltar-se para ela.
Os círculos daquela noite me cortaram,
em mil pedaços me fizeram,
sussurraram teu nome,
transpassaram minha garganta, e mais.
Não eram como nave espacial,
mas me levaram pra bem longe.
De você.
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