segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Futuro
Nossos tempos mudavam de direção. Você, com o braço quebrado, me deixava na escola, sorria e me dava um beijo de despedida. Eu, assustuda, questionava o porquê do abandono e porque ali se já estava diplomada.
Era a materialização inconsciente da minha vontade.
Ontem sonhei com você.
Me olhavas tão fundo, mas a uma distância que me feria incessante.
Foi assim o nosso amor, verbo substantivado proferido por um.
No início tu vinhas e eu me afastava, até que me tomastes e eu me entreguei. Agora me diz um adeus calado.
O silêncio me mata, amor, o que posso fazer além de te retribuir verbalizando?
Sinto dizer que estavas certo; palavras são tudo o que temos. Mas não era pra ser assim.
Amanhã nos despediremos e voltaremos a dormir.
E eu que sonhava sempre com mortos, voltarei a desejar o céu no meu purgatório eterno.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Medo
Com você.
O meu silêncio é proporcional
a minha confusão.
Se calo é por medo
das diferentes sensações da tua presença
Que aumenta quando não estás
... Aquela falta estranha...
E os meus versos nunca foram tão ruins.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Um só
Você dizia
Eu, incrédula, me afastava.
Mas por dentro desejava.
Um só, eu queria
Uma Vez
Eu tentei
Abandonar minha casca.
Viajar até você
Um só, eu tentei.
Numa outra
Você ia
Era tudo brincadeira.
Um só não queria
Fiquei nua. Outra vez.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Redemoinho
Caminhei aos meus afazeres. Relutei.
A água tocava meu corpo devagar.
Transmutação.
Tornou-me transparente.
Apressei-me.
Meu corpo se refletia nos primeiros raios da manhã
Brilhava através das últimas gotas.
Abri a porta,
Fui acometida pelo sol
Senti-me acariciar
Era tão refrescante e envolvente que não percebi
quando no meio do peito a brisa abriu caminho
Por ele passou o mundo
Girava em 360 graus
Momento intenso de felicidade.
No redemoinho estava você,
Levado pelo mundo junto à brisa.
Passou breve como o seu adeus.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Em 27/12/2003
Nem pode mensurar,
Não sabe que qualquer palavra sua me afeta
Nem percebe que só depende de você
Mas só depende de mim.
Quero uma voz que sobreponha meus pensamentos
Que acalme meu espírito
E só há uma voz.
Preciso falar, escute!
Não posso mais
é vazio e não há mais nada -
nenhuma esperança
Mas ainda há o desejo,
E como te desejo...
Espera!
És tão frio,
tão distante e tão vago.
Há tempos avistei uma luz
E todos os meus desejos foram resumidos,
escorridos,
espalhados ao olhar de todos.
Deslumbravam mas não entendiam
que não tenho mais forças para levantar.
Esvaí-me sem mais esperar
Sem sentir, nem ver
Pois o que mais desejava era não mais desejar.
sábado, 21 de junho de 2008
Prozac Nation
Estranha como qualquer outra
Sinto-me como qualquer
Poeira estelar
Rumo ao buraco negro
Sobriedade
Estou a zero grau
E as pílulas aquecem como a neve
Quarenta por cento destilado
Chamo-o de envolvente
E o sentido não me importuna mais
Sem sentido, a angústia me aquece
Ao menos algo a se sobrepor ao nada
Era tudo sobre realidade
Entende?
Aparências meu caro, aparências
Algo a ver com minha ansiedade
Qual droga fará tudo parecer real?
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Ela desfigura.
Esquece os nossos nomes,
Não pára pro café.
Está nadando em direção
- Ao horizonte! Ela pensa.
Não há margens, ela esquece,
Não há margens.
Vira para trás.
Eles a chamam,
Mas ela desfigurou a própria face,
Desfigurada, ela esquece
E segue,
Sem margens, nem nomes, nem faces.
