segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Esboço

Enquanto o tempo corre em linha reta, fazendo curvas que simulam uma salsa moderna, ela olha desesperada em todas as direções, não sabe dizer onde está sendo levada, mas ao menos tem consciência da farsa que a tão pronunciada liberdade carrega.
Percebe que se esvai. Ao longo do caminho sobram apenas os rastros.
Não há como segurar o tempo, que está sempre constante em sua dança. Passos milimetricamente contados - perfeitos e eternos. Mas ela não, não consegue acompanhar o ritmo daquela salsa e de repente pára. Olha pra trás e vê todas aquelas formas, os caminhos que percorreu, os diferentes ritmos e sons. Tudo o que passou está sumindo, foi transformado em poeira cósmica pelo tempo.
Esta poeira a compõe. A matéria é feita do agora. E o futuro é um esboço abstrato. Talvez morrer seja isso, ela pensa - O presente se decompondo na dança do tempo até não restar esboço algum do amanhã.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Ensinamentos da morte

A morte me ensinou
a deixar o passado onde está.
A vida tem pressa
E enquanto esteves entretido,
o tempo abriu as portas.
Ficastes só dentro de casa,
o sol refletia durante as manhãs,
mas não podias sentí-lo por completo.
O vento não te acariciava
E todo aquele amor,
todo aquele amor que eu tinha para ti,
estragou do lado de fora.

Te esqueço

E Enquanto não te esqueço
Perco tempo na dor.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Futuro

Hoje sonhei com você.
Nossos tempos mudavam de direção. Você, com o braço quebrado, me deixava na escola, sorria e me dava um beijo de despedida. Eu, assustuda, questionava o porquê do abandono e porque ali se já estava diplomada.
Era a materialização inconsciente da minha vontade.
Ontem sonhei com você.
Me olhavas tão fundo, mas a uma distância que me feria incessante.
Foi assim o nosso amor, verbo substantivado proferido por um.
No início tu vinhas e eu me afastava, até que me tomastes e eu me entreguei. Agora me diz um adeus calado.
O silêncio me mata, amor, o que posso fazer além de te retribuir verbalizando?
Sinto dizer que estavas certo; palavras são tudo o que temos. Mas não era pra ser assim.
Amanhã nos despediremos e voltaremos a dormir.
E eu que sonhava sempre com mortos, voltarei a desejar o céu no meu purgatório eterno.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Medo

Tenho medo de ser, de amar, de viver
Com você.

O meu silêncio é proporcional
a minha confusão.
Se calo é por medo
das diferentes sensações da tua presença
Que aumenta quando não estás
... Aquela falta estranha...
E os meus versos nunca foram tão ruins.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Um só

Um só
Você dizia
Eu, incrédula, me afastava.
Mas por dentro desejava.
Um só, eu queria
Uma Vez
Eu tentei
Abandonar minha casca.
Viajar até você
Um só, eu tentei.
Numa outra
Você ia
Era tudo brincadeira.
Um só não queria
Fiquei nua. Outra vez.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Redemoinho

Antes do amanhecer, levantei.
Caminhei aos meus afazeres. Relutei.
A água tocava meu corpo devagar.
Transmutação.
Tornou-me transparente.
Apressei-me.
Meu corpo se refletia nos primeiros raios da manhã
Brilhava através das últimas gotas.
Abri a porta,
Fui acometida pelo sol
Senti-me acariciar
Era tão refrescante e envolvente que não percebi
quando no meio do peito a brisa abriu caminho
Por ele passou o mundo
Girava em 360 graus
Momento intenso de felicidade.

No redemoinho estava você,
Levado pelo mundo junto à brisa.
Passou breve como o seu adeus.